Quando eu estava no auge da minha carreira artística como artista plástica, eu morava em Alphaville - SP - sabendo que próximo de lá haviam muitos bairros pobrezinhos, resolvi fazer alguma coisa para ajudar. Eu já trabalhava numa instituição filantrópica chamada O Semeador, ajudando no bazar, mas eu tive a ideia de convidar artistas conhecidos meus para que juntos pudéssemos angariar fundos para a compra de alimentos, brinquedos, cobertas, tudo que fosse preciso, afinal éramos em muitos e com certeza logo conseguiríamos juntar dinheiro para a campanha. Pois bem, pela minha imaturidade o projeto não foi adiante e sinto não ter o pulso necessário para procurar outra pessoa, mas em compensação, vivi uma vida em prol de ajudar quem precisasse e o fiz sempre que pude.
A história foi a seguinte, soube que uma instituição que abrigava idosos e crianças estava carente de ajuda, faltava muita coisa e então eu fui lá conversar com o responsável e apresentar minha ideia, pedindo autorização para a campanha em nome deles, afinal eu faria inclusive panfletos impressos.
Marquei a visita por telefone, a senhora que me atendeu foi muito gentil. Cheguei no dia marcado e fiquei cerca de uma hora e meia esperando e ninguém aparecia. Eu já estava ficando irritada, porque ansiava em contar logo sobre o que tinha em mente e é claro, receber o alvará de quem estivesse cuidando do lugar. Preferi nem citar localidade específica e nem nomes, porque não cabe a mim julgar ninguém, mas contar eu conto, porque achei um desaforo.
Quando eu me levantei para pedir satisfação, saber o porque ninguém me atendia, vi um padre descendo as escadas e vindo ao meu encontro. Era padre de igreja católica. Emocionada, estendi a mão para cumprimentá-lo e ele não fez o mesmo, foi antipático e resistente e eu não entendia o motivo, afinal nem me conhecia. Com uma cara muito feia me perguntou o que era que eu tinha pendurado em meu pescoço. Fiquei olhando para ele com cara de bolo sorado. Como?
Ele insistiu na pergunta e eu olhei para meu peito e vi um colar com um pentagrama. Usava porque havia feito recentemente meus votos pessoais para me tornar uma bruxa do bem, seguidora das forças da Natureza e do Universo. Aliás já feliz da vida com minha escolha. Mas o que isso interessava aquele padre? Respondi que não tinha nada a ver com o que eu tinha ido falar com ele, mas ele nem quis me ouvir. Disse que eu era mandada pelo demônio e na sua santa ignorância me virou as costas.
Eu fiquei lá parada com cara de boba, estarrecida com o acontecido e voltei para casa, onde chorei muito. Se fosse hoje aquele padreco ia ouvir muita coisa de mim, mas infelizmente eu desisti. Fiquei desgostosa da vida e muito frustrada com a situação. Eu ainda não entendia o quanto as pessoas podem ser más, afinal ele não tinha o direito de recusar ajuda, sendo que outras pessoas dependiam dele.
Este foi meu causo de hoje, me lembrei com tristeza, mas achei que valia a pena eu contar. Se ele fosse realmente um homem santo, teria mais humildade.
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