Em 2016 eu pendurei uma placa numa árvore que ficava de frente ao condomínio onde eu morava, onde dizia ÁRVORE DO AMOR. Considerei que dispensasse mais explicações, porque ao lado da placa eu havia pendurado uma sacola com roupas pensando que a pessoa que precisasse já pegaria. De cara deu muito certo, mas vizinhos começaram a me perguntar se podiam colocar outras coisas e então eu troquei a placa para orientar tanto as pessoas necessitadas da rua, como para os outros que quisessem ajudar.
A página SEMEANDO ESTRELAS do Facebook que está como marca d'água na foto não existe mais, como a ÁRVORE DO AMOR que provavelmente foi desativada, já que eu me mudei daquela casa. Durante um tempo a minha vizinha cuidou dela, mas é cansativo, eu sei, porque nem todo mundo faz as coisas com o mesmo amor que a gente faz.
Durante um período de aproximadamente 5 anos, comigo deu muito certo. Moradores de outras ruas vinham trazer doações e colocavam aos pés dela.
Causo da Árvore
Tinha até um catador de rua com celular de tela quebrada, que vivia pedindo para eu tirar foto dele debaixo da árvore, para que mostrasse à mãe. E. Ele queria mostrar à sua mãe, de onde vinham tantas coisas boas que ele levava para casa. Passei a ter uma relação mais estreita com ele, inclusive me parecia ter alguns problemas mentais, mas conversava bem e andava pra cima e para baixo com seu carrinho de feira. Depois que me mudei do condomínio eu já o vi andando noutras avenidas, fiquei até com vontade de chamá-lo, mas só o faria se eu tivesse algo para dar.
Eu podia ter tirado uma foto com ele, só agora me ocorreu, ele como eu, também era fã de fotos digitais.
Nos Natais até móveis foram colocados lá, era muito lindo de se ver e me senti orgulhosa por ter começado um projeto que por si só já andava sozinho. Infelizmente num apagão que aconteceu em casa com meu computador, perdi a maioria das fotos que eu tinha, mas vale pela lembrança.
Descobriram o número da minha casa no condomínio de frente para a árvore, daí não tive mais sossego. É bem complicado vida de quem se dedica a solidariedade. Quem pratica sabe do que eu estou falando, mas é gratificante saber que podemos ajudar tanta gente.
Uma vez eu estava na porta de casa quando vi um automóvel que parou em frente a árvore e levou tudo que tinha, não deixou nada, nem um cabide vazio. Eu corri até o carro e perguntei o que ele estava fazendo e justificou dizendo que tinha uma igreja e lá eu doava aos necessitados. Não tinha como eu saber se era verdade, podia ser que ele fosse vender. Não achei certo, mas eu não tinha como impedir. Numa segunda vez eu o impedi, argumentei que pessoas do bairro dependiam dessa doação e que se ele quisesse que era para levar somente uma ou duas peças. Não tem como ficarmos controlando o tempo todo.
Embora tivesse passado por algumas situações estranhas, houveram muitas outras maravilhosas, como numa vez em que parou outro automóvel, só que daquela vez para doar. Eram caixas e caixas de roupas de uma pessoa que havia falecido e a amiga estava doando. O que eu fiz foi levar tudo para dentro de casa e ia pendurando aos poucos, de duas em duas peças por período. Duas de manhã, duas de tarde e assim por diante, assim dava chance para mais pessoas terem acesso. Eu nessa época não trabalhava mais na ONG de Alphaville, onde morava antes e estava a procura de outra onde eu pudesse contribuir tanto com meu trabalho como com minhas ideias.








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